Eliane F.C.LimaOlho aquele Pão-de-açúcar,morro, pedra e enfado,de bondinhos e turistas,barcos, banhistas aos pés.Às vezes, no meio de [nuvens,esconde o rosto, cansado,esquecer tanta euforia. Saudade de tempo passado,índios, nudez e silêncio,trilhas de pés descalços, rostos quietos na mata,banhos em rios sem sal.Olho o morro:seu corpo finge o azul,esconde seu verde mato,esconder-se-ia todo,não fosse assim gigante,não fosse assim parado,navio fixo no mar,âncoras pra sempre fundas.Fugindo [...]
Estou olhando para o céu, mas não vejo estrelas. Na cidade grande as estrelas se escondem dos olhos eufóricos.A lua está tímida, é encoberta e descoberta tantas vezes pelas nuvens que já não posso contar, Ah como eu queria ter o mar...Andar descalça a beira-mar, sob um céu bem mais bonito do que este que teimo em contemplar.Pessoas apressadas passam por mim, mas eu permaneço aqui nessa calçada solitária, na noite fria e melancólica da selva de pedras.Alguém passa por mim ouvindo Beatle [...]
O complexo do Pão de Açúcar, localizado no bairro da Urca e composto pelo morro do Pão de Açúcar (que dá nome ao complexo), morro da Urca e morro da Babilônia, é, juntamente com a estátua do Cristo Redentor, o maior cartão postal da cidade do Rio de Janeiro e um dos mais famosos do [...]
Um amor diferente a cada dia, um fundo azul por trás da capa preta que esconde toda a felicidade incontrolável que mora dentro de mim. Não faz muito tempo, lembro de ter perguntado o porquê de tantas tatuagens pelo corpo e você ter me dito algo sobre o "pra sempre", lembro de ter observado teus olhos castanhos vagando pelo céu e brincando com as nuvens. Você me engana tão facilmente, encobre toda a sujeira para que eu me sinta meio bem, meio vazia, que acaba desgraçando mais ainda a mi [...]
Evaporou a euforia do toque. O arrepio dançou sozinho, no ar seco, até sumir devagarinho, esconder-se nas cortinas e fugir pela janela que dorme aberta, virando nuvem. Perdeu-se o calor do momento, as faces não coram mais, o suor sequer escorre pelas costas nuas e há um vazio de silêncio pesado separando dois corpos que não se tocam. O azul se sujou de cimento, o sorriso sumiu dos olhos e a doçura não se vestiu das palavras, deixando-as nuas. Não há mais rimas em poemas, sequer restara [...]
Eliane F.C.LimaBicho escondido na toca,um olho negro no escuro,a ilha é seu próprio corpo,sem porto e sem farol.Um mundo, cores que passam,vozes, riso, movimento.Cá dentro – som de lamento? –silêncio é negridão.Um aberto e negro olho,espreita o mundo lá fora.A porta não é saída,a porta não é entrada.Bicho escondido na toca,um olho negro não chora.E nada há que se faça, nenhuma via é estrada,nenhuma cobiça do sol,fútil e inútil porta,cobiça é da vida morta,vida e alma que lá vão.
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