Saio em busca do poema. Busco tempo e tempero para o poema. Busco sonho e desespero para o poema. Eu me busco me rabisco e me rebusco no poema. O poema é meu estandarte, meus adereços. O poema é minha face, meu aveço. No poema convivo com os fantasmas de mim mesmo. O poema é meu último endereço. (poema publicado na antologia Pedras de Minas - Poemas Gerais, p. 55) Wilson Pereira - Coromandel - MG
vai que eu venha rota de tanta derrotavocê esfarrapado, apartado da rota;vai que você vire o meu verbo do avesso; você vem manso e cobre com bom tomminha boca semi árida, feito batom;vai que eu te beije ávida na língua do pê; você me encanta e eu con_verso convençoque já não mais vivo ao pé da letra;vem que eu cochicho em seu ouvido vai que fica tudo resolvido... vai que eu te tome p(r)ontovocê me some vírgula;eu, Zorro; você, tonto vem por aquique eu vou por ali;nos encontra [...]
para Júlia havia crianças por aqueles lados que gostavam de brincar no rio e esvoaçar borboletas brancas e amarelas que corriam atrás das folhas e gostavam de ver vagalumes enxurrada abaixo havia crianças que reviravam a terra e gostavam de cortar galhos e construir ninhos que gostavam de subir nas amoreiras e brincar com amigos invisíveis pelos lados de lá quando o mundo adormecia havia crianças que acolhiam as sombras em seus olhos penetravam a madrugada e exalavam estrelas pros lado [...]
No céu, por uns instantes,ao sul de alguma noite, decifra o amante a cisplatina frianuma prata luzidiaque antes, tudo negava, nada queria.Agora, o sapo murmurantedeixa de coaxar sua fêmea e, com a língua pegajosa,lança-se ao mar estendido, depositando sobre o panoo gemido colhido no raiar da aurora.Descansa, iça a alma que descambae recupera o fogo amanhecidopara a chuva desastrosa que a tudo inunda,mas que evapora esbraseadanas gretas profundas.Ela, a fêmea, oferece um abraço de perna [...]
Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} esquina pon [...]
Dedim de Ciço, poeta e cantador, convidou o amigo Chico, da cidade de Contagem, para passar uns dias no seu torrão natal, a bonita Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha.Em lá chegando, o rapaz, talvez porque os pulmões já estavam acostumados com a poluição do grande centro industrial, não resistiu ao ar puro do Vale ou ao vento apanhado nas serestas que participou e, no terceiro dia da visita, acordou com uma bruta crise de tosse. Punhadinho de sal na boca, chá de hortelã, reza de d. [...]
Dedim de Ciço, poeta e cantador, convidou o amigo Chico, da cidade de Contagem, para passar uns dias no seu torrão natal, a bonita Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha. Em lá chegando, o rapaz, talvez porque os pulmões já estavam acostumados com a poluição do grande centro industrial, não resistiu ao ar puro do Vale ou ao vento apanhado nas serestas que participou e, no terceiro dia da visita, acordou com uma bruta crise de tosse. Punhadinho de sal na boca, chá de hortelã, reza de d [...]
minas é um rio comprido como um cachorro latido no braço de manuelzão eu olho minas de perto como tecido coberto pelo balaço do mar manuelzão e mar são coisas de fazer minas chorar. romério rômulo felixlândia, mg
Nas mãos de Marineusa existe um quintal cheio de pés de frutas carregadas de promessas de uma vida feliz.E uma cozinha afetiva onde impera um saber que cozinhar não é obrigação, é uma forma de amar os outros.Tem, sempre, uma comida sendo preparada para simbolizar o bem querer, saudar as visitas, acalentar quem precise, fortificar o afeto.Existem alegrias e tristezas sendo refogadas e transformadas em amor servido nos mais diversos pratos.Tem um céu com quatro marias e um chão colorido [...]
Quero traçar Dalila, transar Dalila eu quero, penetrá-la por todos os lados, de todos os lados. Fazer dela meu objeto de desejo. Cometer os piores pecados em seu corpo, mas meu escritor não quer que eu faça isto. Diz que a história é sagrada e já foi escrita. Mas a arte não é transformadora, libertadora? O personagem não é a imagem e semelhança de seu criador? Saia da ponta de seu lápis ou da tecla de seu computador para o meu [...]
De um lugar distante, muito ao contrário do mar, sempre fui um menino cheio de curva e barranco, um rio correndo só, na solidão da lembrança, com um jeito manso de primeira fonte querendo, antes, muito mais ficar. O segredo, no entanto, pesa além das pedras; tanto busca e não alcança. E lave e leve, de mansinho, esse querer sem onde; água em descaminho que aqui dentro quebra. Márcio Ares Bonfinópolis de Minas, MG www.blogdomarcioares.blogspot.com
Os tipos da máquina de escrever manual, tinta preta, remetem para logo ali, as primeiras franjas dos anos 1960. E vão se sobrepondo em velocidade de contentamento ao longo do papel amarelado. Tricotam desfecho feliz. Mal sabe Amador o enredo de tragédia que se erguerá na esteira daqueles textos. Ponto final, revisão minuciosa, e os originais seguiriam ao editor que lhe prometera uma chance. Viriam seis noites sem dormir – o relógio desnudando todos seus segredos – e o chamado às pressa [...]
O menino em mim ainda se comemora: há um gosto de vento nos ombros, um cheiro de amoras no tempo, um engenho de sonhos nos olhos; uma varanda namora o silêncio das horas que caem. O menino em mim ainda cresce e me leva embora. (poema publicado no livro Menino sem Fim e reproduzido na antologia Pedras de Minas - Poemas Gerais, p.38) Wilson Pereira - Coromandel - MG
( pra Ciça) confunde ser com estarpor pouco se descabelasabe de dor e alegria faz da emoção o seu larvive a prática na teoriaeu me pergunto se elanão é a própria Poesia Maria Paula Alvim, Salinas, MGwww.mariapaulaalvim.blogspot.com
Rosa Maria Por um triz foi feliz. Foi aprendiz de donzela, De empregada e patroa, De mariposa e leoa, De Messalina, de Ismália. Foi aprendiz de menina Que se destina a casar. Foi aprendiz de chorar... Foi aprendiz de chorar... Rosa Maria Por um triz foi feliz. Foi aprendiz de fumante, De corte e costura e gestante, De feiticeira e de fada, De fazedora de nada. Foi aprendiz de amiga Com quem se pode contar. Foi aprendiz de cantar... Foi aprendiz de cantar... Rosa Maria Por um triz foi f [...]
tão ausente que não te encontro mais nos meus versos tão pouco no teu toque não te vejo não te toco não tão distante que meu corpo a ti não se sabe mais Adair Carvalhais Júnior www.ventosdesencontrados.blogspot.com
"Estudos" - Paulo Vieira palavra mil pulsos repuxo de boca repulsa aguçada na língua ferino fio que se confiou em silêncio em segredo todos de mim tremem temem ocuparem-se das dores desejadas das ausências de que se poderia gostar não não dispõem de gostares os sujeitos ocultos na poesia que só excita almas em seu reverso corpo adstringente ergam-se imponham-se ao grave da voz resignada a designar-se a condenar-se a engolir o seco das palavras e em cada uma delas mil confissões c [...]
ao amor tudo é permitidomatar morrer de amor o sonhoviver desiludidoarrepender-se se necessárioabraçar com asas de pássarostodos os sentidossem fingimento sem pejoo amor já traz de sino beijo algum arrependimentoum coração feridojoão evangelista rodriguesarcos-mg
Se houvesse um poema de esquecer não seria esse. Esse é um poema de lembranças por onde sempre correrão meus dedos: de sonhos enlatados, de olhos fechados, de bolhas de sabão, de ter um coração num dia de chuva. --- Kenia Cris - Poesia Torta Belo Horizonte